O objectivo deste blog é fornecer informação útil para doentes oncológicos que realizam radioterapia e que por motivos diversos desconhecem o tratamento

11
Ago 09

O cancro gástrico foi um dos mais prevalentes na década de 80, contudo a sua incidência tem vindo a baixar. Tem maior incidência no sexo masculino do que no sexo feminino, sendo a proporção 2:1.

 

Antes de colocar qualquer informação, penso ser importante colocar uma imagem sobre a anatomia deste órgão para que posteriormente seja mais fácil entender-se a teoria.

 

 

 

A imagem seguinte mostra a localização dos tumores gástricos de acordo com a anatomia do órgão

De seguida apresento um quadro com os factores de risco associados ao cancro gástrico.

 

 

Definitivo – vigilância recomendada

Polipose adenomatosa familiar (FAP)

Adenoma gástrico

Biópsia gástrica revelando displasia de alto grau

Definitivo

Gastrite crónica atrófica

Metaplasia gástrica em biópsia

Infecção H. pylori

Cancro colo-rectal hereditário não polipose (HNPCC – Lynch II)

Provável

História de gastrectomia subtotal (< 20 anos)

Anemia perniciosa

Tabaco (cardia)

Possível

Excesso de álcool

Alimentos salgados, picantes ou fumados

Ingestão baixa de vegetais e frutos

Tabaco

Duvidoso

Úlceras gástricas benignas

Polipos glandulares

Polipos hiperplásicos

Os sintomas associados ao cancro gástrico são:

·         Emagrecimento

·         Dor abdominal

·         Náuseas

·         Anorexia

·         Disfagia (dificuldade em engolir)

·         Melenas (fezes de cor escura devido à presença de sangue nas mesmas)

·         Saciedade precoce

·         Dor tipo ulceroso

·         Edema dos membros inferiores (inchaço das penas/pés)

 

O diagnóstico deste tipo de cancro deve passar sempre pela endoscopia, sendo este um dos exames mais utilizados e o melhor procedimento de diagnóstico do tumor em causa. Para além disso devem ser realizados exames radiográficos com contraste para uma melhor visualização do órgão.

Depois de feito o diagnóstico de cancro gástrico e antes de se passar à fase de tratamento, é feito o estadiamento da doença, para que o tratamento seja adaptado ao estadio em que o tumor se encontra. O estadiamento é feito de acordo com o sistema TNM (tumor, nódulos, metástases), em que o T se refere á extensão do tumor primário, o N às metástases para gânglios regionais e o M metástases à distância. Está dividido em:

         Tx – o tumor primitivo não pode ser avaliado

         T0 – sem evidência de tumor primitivo

         Tis – carcinoma in situ

         T1 – o tumor primitivo invade a membrana basal ou a sub-mucosa

         T2 – o tumor invade a muscular

o   T2a – tumor invade a muscular própria

o   T2b – tumor invade a subserosa

         T3 – o tumor invade a adventícia

         T4 – o tumor invade as estruturas adjacentes

 

         Nx - os gânglios linfáticos regionais não podem ser avaliados

         N0 – sem metástases nos gânglios linfáticos regionais

         N1 – metástases em 1 - 6 gânglios linfáticos regionais

         N2 – metástases em 7 – 15 gânglios linfáticos regionais

         N3 – metástases em mais de 15 gânglios linfáticos regionais

 

         M0 – sem metástases à distância

         M1 – metástases à distância

 

Por fim coloco uma imagem que permite comparar a percentagem de doentes vivos com o passar dos anos de acordo com o estadio da doença.

 

publicado por A Radioterapia às 09:57

10
Ago 09

Hoje decidi fazer um post sobre metastização óssea. É um importante tema e do qual se fala pouco. Tem importância elevada no decurso da doença oncológica e se não for bem tratada é fonte de elevada morbilidade.

Para começar é importante referir quais os cancros com maior incidência para metastizarem para os ossos. O seguinte quadro mostra a incidência de cada tipo de cancro e a sobrevida estimada para cada um deles.

 

Tumor

Incidência em %

Sobrevida mediana em meses

Mieloma

95 – 100

24

Rim

20 – 25

12

Melanoma

14 – 45

6

Bexiga

6 – 9

6 – 9

Tiróide

60

48

Pulmão

30 – 40

7

Mama

65 – 75

24

Próstata

65 – 75

36

 

Os dados anteriormente referidos foram retirados: Ferlay et al. IARC press, 2001.  2. Coleman. Cancer. 1997;80(suppl):1588-1594.

 

Os locais mais comuns de metástases ósseas são:

 

Vértebras

69%

Pélvis

41%

Fémur

25%

Costelas

25%

Crânio

14%

Úmero proximal

9.6%

Omoplata

5.7%

Clavícula

4.1%

 

Os dados anteriormente referidos foram retirados: http://www.unifesp.br/dorto-onco/livro/tumo12p1.htm

Sintomas

·         Dor

·         Compressão medular – paralisia

·         Fracturas patológicas

·         Alteração dos níveis de cálcio e fósforo

·         Falência medular:

o   Anemia

o   Leucopénia (diminuição dos glóbulos brancos)

o   Trombocitopénia (diminuição das plaquetas)

 

Quanto aos tratamentos mais utilizados para metástases ósseas são:

Tradicionais

        Radioterapia/radionuclideos

        Hormonoterapia

        Quimioterapia

        Cirurgia ortopédica

        Analgésicos

 

Tratamento complementar

        Inibição dos osteoclastos (isto porque estas células reabsorvem o osso dissolvendo os minerais e degradando o colagénio)

 

publicado por A Radioterapia às 20:04

Quanto aos efeitos secundários provocados pelos tratamentos de radioterapia estes podem ser divididos em efeitos agudos e tardios.

·         Os efeitos secundários agudos ocorrem geralmente entre a 2ª/3ª semana de tratamento e são:

      • Cansaço;
      • Náuseas;
      • Diarreia;
      • Cistite (inflamação da bexiga);
      • Dor perineal (dor próximo da zona pélvica);
      • Disúria (dificuldade em urinar).

·         Os efeitos secundários tardios ocorrem geralmente 3 meses depois do fim dos tratamentos e são:

      • Menopausa (mulheres);
      • Infertilidade;
      • Esterilidade;
      • Impotência;
      • Disfunção intestinal;
      • Incontinência.

É importante referir mais uma vez que estes efeitos secundários são apenas prováveis, sendo que depende de doente para doente. Existem doentes que não experienciam qualquer um destes efeitos e existem outros que manifestam efeitos secundários para além dos descritos.  

Existem alguns cuidados que os doentes devem ter durante o tratamento de radioterapia.

·         Utilização de loções, pomadas, sabonetes e gel de banho que não contenha álcool

·         Evitar utilizar roupa apertada e que possa irritar a pele na zona irradiada

·         Evitar a exposição solar. Não quer isto dizer que a doente enquanto está a fazer radioterapia não poderá ir à praia, mas deve proteger a área irradiada do sol, vestindo uma t-shirt e permanecendo de preferência à sombra

  • No caso de diarreia o doente deve:
      • Beber 2L de líquidos por dia;
      • Comer alimentos pobres em fibras, gorduras e loperamida;
      • Comer carnes magras grelhadas e peixe;
      • Evitar alimentos que provocam formação de gases.
    • No caso de cistite deve ingerir muitos líquidos;
    • No caso de reacções na pele deve utilizar um creme 1% hidrocortisona;
    • No caso de descamação da pele deve utilizar instillagel;
    • No caso de náuseas o doente deve:
      • Fazer várias refeições, comer lentamente e em pequenas quantidades;
      • Comer de preferência antes do tratamento;
      • Evitar gorduras e doces;
      • Refeições à temperatura ambiente e/ou frias;
      • Evitar comer em locais muito quentes;
      • Após as refeições, repousar na posição de sentado;
      • Tomar metoclopramida;
      • Beber os líquidos preferencialmente fora das refeições:
        • Preferir bebidas frescas;
        • Evitar bebidas que irritam o estômago;
        • Evitar bebidas gaseificadas.
publicado por A Radioterapia às 11:26

Uma vez que o tratamento difere para cancro do cólon e para cancro do recto vou começar por falar do tratamento do cancro do cólon.

As opções de tratamento dependem sempre da fase em que a doença se encontra.

Pode-se optar pela cirurgia, quimioterapia e/ou radioterapia.

 

         Estadio I – cirurgia

         Estadio II – cirurgia ± quimioterapia adjuvante (depois da cirurgia)

         Estadio III – cirurgia + quimioterapia adjuvante

         Estadio IV – quimioterapia ± cirurgia

 

Abaixo deixo imagens referentes às cirurgias que podem ser realizadas no caso de cancro do cólon. A cirurgia depende da parte anatómica do cólon que foi afectada.

 

No caso do tratamento do cancro do recto, as opções também passam pela cirurgia, quimioterapia e radioterapia e existem dois protocolos diferentes que podem ser utilizados:

         Cirurgia + quimioradioterapia adjuvante (depois da cirurgia)

         Quimioradioterapia neoadjuvante (antes da cirurgia) + cirurgia + quimioterapia adjuvante

 

publicado por A Radioterapia às 10:55

09
Ago 09

O cancro colo-rectal é um tipo de cancro bastante frequente, afectando tanto o sexo feminino como o sexo masculino.

 Os sintomas associados a este tipo de cancro são:

 

         Alteração do trânsito intestinal

         Sangue nas fezes

         “Hemorróidas”

         Sensação de defecação incompleta

         Fezes em fita

         Obstrução/perfuração intestinal

         Anemia

         Astenia, anorexia, perda de peso

         Muitas vezes assintomático até fase avançada da doença

 

Os factores de risco associados ao cancro colo-rectal são:

 

         Idade: maioria entre 60-70 anos

         Polipos adenomatosos (80% destes tumores)

         Doença inflamatória do intestino

         Dieta (rica em gorduras e calorias, pobre em fibras)

         Álcool e tabaco

         Sedentarismo

         História familiar

 

O diagnóstico deste tipo de tumores pode passar por:

 

·         Análises (incluindo da função hepática)

·         Marcadores tumorais (é uma substância usada como indicador de malignidade, que pode estar presente na células tumorais ou que pode ser libertada pelo tumor. Não é especifico de cada tipo de cancro, mas ajuda na detecção do mesmo). No caso do cancro colo-rectal os marcadores tumorais são o CEA (antigénio carcino-embrionário) e o CA19,9 (antigénio hidrocarbonado 19,9).

·         Toque rectal

·         Pesquisa de sangue oculto nas fezes

·         Colonoscopia

·         Clister opaco

·         Rectosigmoidoscopia

 

Depois de feito o diagnóstico de cancro do cólon e recto e antes de se passar à fase de tratamento, é feito o estadiamento da doença, para que o tratamento seja adaptado ao estadio em que o tumor se encontra.

         É dividido em:

 

        Estadio 0

         Carcinoma in situ

         O tumor está limitado à mucosa

        Estadio I

         T1

         O tumor invade a submucosa

         T2

         O tumor invade a muscular própria

        Estadio II

         Estadio IIA

         T3: O tumor invade a subserosa ou tecidos pericólicos ou perirectais

         Estadio IIB

         T4: O tumor invade directamente outros órgãos e estruturas e/ou perfurou o peritoneu visceral

        Estadio III

         O tumor invade os gânglios regionais

        Estadio IV

         O tumor invade órgãos à distância

Para visitantes do blog que não sejam da área de oncologia/radioterapia pode ser um pouco complexo e estranho a divisão do estadiamento da doença, contudo ela é extremamente importante para a decisão de qual o tratamento mais indicado. Ponderei se colocaria esta informação ou não, pois pode confundir os doentes, mas para aqueles que gostam de ter toda a informação sobre a sua situação clínica decidi colocar.

Rastreio

 

O rastreio tem um papel muito importante na detecção de vários tipos de cancro. O cancro do cólon e recto é uma das doenças ideais para ser rastreada, isto porque:

        É uma doença frequente

        Antecedida (em anos) pelo aparecimento de polipos pré-malignos

        A doença detectada precocemente tem uma alta probabilidade de cura

 

publicado por A Radioterapia às 20:41

Como já disse várias vezes, o tratamento depende sempre do tipo de tumor em causa.

No caso de cancro do pulmão existem dois tipos histológicos principais:

·         Tumor de pequenas células

o   Este tipo histológico representa 20% de todos os tumores do pulmão, sendo a forma mais agressiva de tumor do pulmão. Tem origem nos brônquios centrais e metastiza precocemente (na maioria das vezes, antes de este apresentar sintomas), sendo os locais de metastização mais frequentes o fígado, o osso e o cérebro

 

·         Tumor de não pequenas células

o   Este tipo histológico representa 80% de todos os tumores do pulmão dividindo-se em várias histologias:

§  Carcinoma espino-celular (epidermóide) - É a forma mais comum nos homens, fumadores, tendo origem nos brônquios centrais. A metastização é lenta e o diagnóstico mais precoce (o que leva a uma maior taxa de cura).

 

§  Adenocarcinoma – É a forma mais comum nas mulheres e não fumadores, tendo origem nos brônquios de 3ª ordem, os bronquíolos. Os sintomas são geralmente tardios, apresentando frequentemente envolvimento de gânglios e parede torácica. Forma-se muitas vezes em cicatrizes pulmonares.

 

§  Carcinoma de grandes células – É uma forma mais rara de cancro do pulmão de não pequenas células e tem origem nos brônquios periféricos.

 

§  Carcinoma adeno-escamoso – Forma combinada com elementos de adenocarcinoma e epidermóide

 

 

§  Carcinoma bronquiolo-alveolar – É uma variante de adenocarcinoma e normalmente tem origem periférica. Não está associado ao tabaco.

 

Quanto ao tratamento para Carcinoma do pulmão de não pequenas células é:

·         A cirurgia é a primeira opção de tratamento para os doentes em estadios I e II, sendo que os doentes em estadio IIIA podem vir a ser operados depois de quimioradioterapia neoadjuvante (antes da cirurgia)

·         A radioterapia é a primeira opção de tratamento para os doentes inoperáveis em estadios I e II

·         A quimioterapia tem intenção adjuvante na doença precoce (ou seja, é utilizada após cirurgia para doentes em estadios precoces) e é o tratamento de eleição em combinação com a radioterapia para o estadio III. É a única opção de tratamento para doentes em estadio IV.

 

Quanto ao tratamento para Carcinoma do pulmão de pequenas células é:

·         Quimioterapia seguida de radioterapia.

·         Os doentes com este tipo de tumor estão indicados para realizarem radioterapia ao SNC como medida de prevenção, isto porque este tipo de tumor tem uma elevada probabilidade de metastizar para o cérebro.

 

 

Quanto à radioterapia, existem efeitos secundários provocados por esta.

Os efeitos secundários dividem-se em agudos e tardios.

·         Os efeitos secundários agudos ocorrem geralmente entre a 2ª/3ª semana de tratamento e são:

      • Radiodermite (sendo que a pele da zona irradiada vai-se apresentar seca, frágil, com prurido e vermelhidão);
      • Cansaço;
      • Esofagite (inflamação do esófago);
      • Possibilidade de perda do apetite.

·         Os efeitos secundários tardios ocorrem geralmente 3 meses depois do fim dos tratamentos e são:

      • Fibrose pulmonar (os alvéolos por onde passa o sangue para receber o oxigénio, são perdidos, levando a uma perda irreversível da capacidade dos pulmões para transferir o oxigénio para a corrente sanguínea);
      • Pneumonite radiógena (infecção pulmonar provocada pela radioterapia).

Existem alguns cuidados que os doentes devem ter durante o tratamento de radioterapia.

·         Utilização de loções, pomadas, sabonetes e gel de banho que não contenha álcool

·         Evitar utilizar roupa apertada e que possa irritar a pele na zona irradiada

·         Evitar a exposição solar. Não quer isto dizer que a doente enquanto está a fazer radioterapia não poderá ir à praia, mas deve proteger a área irradiada do sol, vestindo uma t-shirt e permanecendo de preferência à sombra.

  • Muitos doentes diminuem de peso. Deste modo, devem seguir uma dieta equilibrada rica em alguns alimentos que podem contrariar essa perda de peso. Algumas dicas dadas aos doentes são:
    • Uma colher de chá de manteiga ou margarina misturada na sopa, flocos de cereais quentes, puré de batata, vegetais cozidas ou arroz, acrescenta calorias à refeição;

o   Ao comer pão quente com manteiga, pode usar maior quantidade desta, pois ela derrete-se;

o   As carnes, peixes e aves panados contêm mais calorias do que as carnes cozidas ou grelhadas;

o   Os doces e as sobremesas são fontes de calorias, assim como as nozes e os frutos secos;

o   As bolachas sabem melhor quando barradas com manteiga;

o   Alimentos pobres em calorias, tais como os vegetais crus, podem ser servidos com molhos;

o   A maionese tem mais calorias do que a salada só com azeite;

    • Não deverá consumir muito leite nem os seus derivados, porque durante ou após o tratamento pode ter vários problemas como: diarreia, saliva espessa ou outros problemas, não podendo tolerá-lo. Podendo por isso substituí-lo por leite de soja;
    • Não deve consumir bebidas com cafeína nem bebidas alcoólicas;
    • Beber muitos líquidos (água, chá, sumos).
publicado por A Radioterapia às 20:03

25
Jul 09

O cancro do pulmão é a segunda causa de morte por cancro no sexo feminino e a primeira no sexo masculino. Cerca de 58% dos cancros são no pulmão esquerdo e 42% no direito.

 

As principais causas associadas ao cancro do pulmão são:

·         Tabaco

·         Tabagismo passivo

·         Asbestos

·         Radão

·         Radiação ionizante

·         Químicos: arsénico, níquel, hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (poluição atmosférica)

 

É importante referir alguns números sobre o cancro do pulmão associado ao tabaco, uma vez que ainda existem muitas pessoas que não valorizam esses valores.

 

          Tabaco – responsável por 87% dos tumores do pulmão:

        90% no caso dos homens

        79% no caso das mulheres

 

          Risco relativo de cancro nos fumadores: 10-30 x

 

          Risco ao longo da vida de cancro do pulmão:

                               fumadores 30% vs <1% não fumadores

 

          Parar de fumar = redução do risco:

        Abstenção durante 15 anos – redução do risco em 80-90%

        O risco será sempre maior que o nunca fumador

        Se não se conseguir parar ao menos reduzir

 

É a forma de cancro que mais pode ser prevenida

 

Os sintomas do cancro do pulmão são:

§  Tosse

§  Hemoptise (expectoração com sangue)

§  Dor torácica

§  Dispneia (falta de ar)

§  Disfonia (alteração na produção da voz)

§  Perda de peso

§  Astenia (diminuição das forças; enfraquecimento do estado geral)

§  Anorexia

 

O diagnóstico de cancro do pulmão baseia-se em exames de imagem como o Rx de tórax, Tomografia Computorizada, Ressonância Magnética e PET (Tomografia por emissão de positrões); broncoscopia e biópsia.

 

 

O estadiamento de cancro do pulmão é feito de acordo com o sistema TNM (tumor, nódulos, metástases), em que o T se refere á extensão do tumor primário, o N às metástases para gânglios regionais e o M metástases à distância. Está dividido em:

 

·         T1 – Tumor com menos de 3cm no seu maior diâmetro, circundado por pleura ou tecido pulmonar em toda a sua extensão, sem evidência de invasão proximal a um brônquio lobar ao exame endoscópico

 

·         T2 – Tumor com qualquer uma das seguintes características:

o   mais de 3cm no seu maior diâmetro

o    invade a pleura visceral (pleura que recobre os pulmões)

o   provoca atelectasia (colapso de um segmento, lobo ou todo o pulmão) ou pneumonite crónica obstrutiva

o   estende-se à região hilar, porém, à broncoscopia, o tumor deve estar a pelo menos 2cm distal à carina principal

 

·         T3 – tumor de qualquer dimensão, com invasão directa da parede torácica, do diafragma, do pericárdio ou pleura mediastinal, sem invadir estruturas viscerais, grandes vasos ou corpo vertebral

 

·         T4 – tumor de qualquer tamanho invadindo mediastino, comprometendo o coração, grandes vasos, traqueia, esófago, corpo vertebral ou carina; ou tumores de qualquer dimensão acompanhados de derrame pleural (acumulação excessiva de liquido na cavidade pleural [cavidade virtual entre a pleura visceral e a parietal]).

 

publicado por A Radioterapia às 13:29

24
Jul 09

Existem alguns factores a ter em conta na decisão de qual o tratamento que melhor se adapta ao doente em causa. Esses factores são:

·         Idade e condição física geral do doente

·         Grau histológico do tumor e PSA total

·         Estadio da doença → confinada ao orgão = > probabilidade de cura

·         Previsão de resultado em comparação com outras modalidades de tratamento

·         Efeitos secundários

 

Os objectivos do tratamento de cancro da próstata são o controlo do tumor, a preservação do controlo urinário (continência) e a preservação da função sexual (potência)

 

No caso da doença estar localizada à próstata, as opções de tratamento são a cirurgia, a radioterapia (externa ou braquiterapia) e a crioterapia.

 

·         Existem dois tipos de cirurgia possível:

o   Prostatectomia supra-púbica – é realizada uma incisão e a próstata é removida através da bexiga. Neste tipo de cirurgia são raras as complicações graves.

§  Vantagens da prostatectomia supra-púbica:

·         É removida toda a próstata

·         Podem ser removidos os gânglios

·         A margem cirúrgica pode ser verificada

 

o   Prostatectomia perineal – é realizada uma incisão no períneo, entre o recto e o escroto, e a próstata é removida. Neste tipo de cirurgia não é possível remover gânglios, para além de que a probabilidade de lesão do recto é maior.

 

·         A crioterapia consiste na colocação de criosondas guiadas por ecografia sendo necessário anestesia geral.

 

·         A radioterapia tem como vantagem o facto de aumentar a sobrevida dos doentes e diminuir o risco de impotência (que surge devido à fibrose dos ligamentos do pénis)

 

o   Os efeitos secundários provocados pelo tratamento de Radioterapia dividem-se em agudos e tardios.

§  Os efeitos secundários agudos ocorrem geralmente entre a 2ª/3ª semana de tratamento e são:

·         Gastrointestinaisdiarreia, espasmos abdominais, desconforto rectal e hemorroidal

·         Genitourináriosdisúria (dificuldade em urinar), micção frequente (urinar frequentemente), nictúria (ou seja, eliminação do volume de urina aumentado durante a noite)

·         Peleeritema (coloração avermelhada da pele) e descamação seca ou húmida (períneo e região interglútea)

§  Os efeitos secundários tardios ocorrem geralmente 3 meses depois do fim dos tratamentos e são:

·         Incontinência urinária

·         Incontinência do esfíncter anal

·         Disfunção eréctil

·         Impotência, dependendo da idade e do tratamento utilizado.

 

Existem alguns cuidados que os doentes devem ter durante o tratamento e deixo aqui algumas dicas que podem ajudar a atenuar os efeitos secundários provocados pela radioterapia.

 

    • No caso de diarreia o doente deve:
      • Beber 2L de líquidos por dia;
      • Comer alimentos pobres em fibras, gorduras e loperamida;
      • Comer carnes magras grelhadas e peixe;
      • Evitar alimentos que provocam formação de gases.
    • No caso de reacções na pele deve utilizar um creme 1% hidrocortisona;
    • No caso de descamação da pele deve utilizar instillagel;
    • No caso de náuseas o doente deve:
      • Fazer várias refeições, comer lentamente e em pequenas quantidades;
      • Comer de preferência antes do tratamento;
      • Evitar gorduras e doces;
      • Refeições à temperatura ambiente e/ou frias;
      • Evitar comer em locais muito quentes;
      • Após as refeições, repousar na posição de sentado;
      • Tomar metoclopramida;
      • Beber os líquidos preferencialmente fora das refeições:
        • Preferir bebidas frescas;
        • Evitar bebidas que irritam o estômago;
        • Evitar bebidas gaseificadas.

 

No caso de doença em estadio avançado (ou seja que não está limitada à próstata, invadindo outros tecidos para além desta) o objectivo do tratamento é controlar a doença. O tratamento baseia-se em terapia hormona (hormonoterapia) e quimioterapia, uma vez que a doença disseminou para outros órgãos/tecidos.

 

·         O objectivo da hormonoterapia é diminuir os valores de testosterona, por forma a diminuir a actividade da glândula prostática e consequentemente a actividade do tumor

·         A quimioterapia é geralmente utilizada quando a hormonoterapia não apresentou resultados, mas a sua eficácia é diminuída neste tipo de tumores.


 

publicado por A Radioterapia às 08:37

22
Jul 09

O cancro da próstata é a segunda causa de morte por cancro no sexo masculino. Como em todos os tipos de cancro, é essencial que a doença seja detectada precocemente, para que a probabilidade de cura seja maior. Os exames de diagnóstico que podem ser realizados para detecção da doença são o toque rectal, o PSA (um antigénio especifico da próstata), ecografia trans-rectal e deve ser realizada uma biópsia. O PSA deve fazer parte das análises de rotina de um homem a partir dos 50 anos. Para além desta análise, o toque rectal também é recomendado como um exame de rastreio para despistar o cancro de próstata. Quando existem valores aumentados de PSA deve ser realizada uma ecografia trans-rectal e uma biópsia, para esclarecimento da doença. 

 

Sintomas de cancro da próstata

 

Estes só costumam acontecer nas situações avançadas da doença e podem não ser exclusivos de cancro, ou seja, existem doenças benignas da próstata, nas quais os doentes podem apresentar alguns dos sintomas mencionados como sendo de cancro da próstata. O essencial é estar atento às alterações do corpo e aos sintomas que este manifesta para poder detectar precocemente qualquer doença da próstata.

 

Alguns dos sintomas associados a cancro da próstata são:

·         Nictúria (ou seja, eliminação do volume de urina aumentado durante a noite)

·         Micção dolorosa (ou seja, dificuldade em urinar)

·         Hematúria (ou seja, presença de sangue na urina)

·         Hematospermia (ou seja, presença de sangue no sémen)

·         Dores ósseas

·         Ejaculação dolorosa

·         Impotência

 

Após ter sido diagnosticado um cancro da próstata é necessário que o médico tenha informação acerca do estadio da doença, para deste modo poder seleccionar os tratamentos mais indicados.

 

O estadiamento de cancro da próstata é feito de acordo com o sistema TNM (tumor, nódulos, metástases), em que o T se refere á extensão do tumor primário, o N às metástases para gânglios regionais e o M metástases à distância. Está dividido em:

 

·         T1 – Clinicamente inaparente, tumor não palpável ou visível

o   T1a – achado acidental após ressecção trans-uretral; <5% de tecido ressecado

o   T1b - achado acidental após ressecção trans-uretral; >5% de tecido ressecado

o   T1c – tumor diagnosticado por biópsia (PSA elevado)

·         T2 – Tumor confinado à próstata (palpável ou visível na eco)

o   T2a – envolve metade ou menos de um lobo da próstata

o   T2b – envolve mais de metade de um lobo da próstata, mas não os dois

o   T2c – envolve os dois lobos da próstata

·         T3 – tumor passa a cápsula prostática, colo vesical ou cápsula seminal

o   T3a – extensão extra-capsular unilateral

o   T3b – extensão extra-capsular bilateral

o   T3c – tumor envolve a(as) vesícula(as) seminal(ais)

·         T4 – tumor invadindo ou fixado aos tecidos vizinhos (excluindo vesículas seminais)

o   T4a – tumor invade o colo vesical, o esfíncter externo ou o recto

o   T4b – tumor invade o pavimento ou as paredas pélvicas

 

·         N0 – sem metástases ganglionares

·         N1 – metástases num grupo ganglionar intra-pélvico que não é superior a 2cm

·         N2 – metástases num ou mais grupos ganglionares maiores que 2cm mas menores que 5cm

·         N3 – metástases ganglionares maiores que 5cm

 

·         M0 – sem metástases à distância

·         M1 – metástases à distância (gânglios extra-pélvicos, pulmão, fígado, cérebro)

 

 

 

Alguns dos factores de risco associados ao cancro da próstata são:

 

·         História familiar

·         Raça

Raça

Incidência

Mortalidade

Afro-americanos

272.0

68.1

Caucasianos

169.0

27.7

Hispânicos

141.9

23.0

Asiáticos

101.4

12.1

 

·         Idade

Idade

Risco

0- 39 anos

1: 10.149

40-59 anos

1: 38

60-69 anos

1: 14

70-79 anos

1: 7

80-morte

1:6

 

·         Dieta:

o   Consumo de carne vermelha (↑ risco 2,6 vezes)

o   Gorduras poli-insaturadas provavelmente cancerígenas

o   Dieta rica em gordura enfraquece o sistema imunitário

 

publicado por A Radioterapia às 10:43

20
Jul 09

Hoje o post é relativo ao tratamento de Cancro de mama, mas desta vez especifico para cada fase da doença. Ontem generalizei as várias opções de tratamento que existem, contudo hoje vou centrar a informação nos diferentes estadios da doença de que falei nos posts anteriores, pois o tratamento de qualquer patologia depende sempre do tipo de tumor que estamos a tratar.

No caso de cancro de mama em estadio I e II (estadios precoces) o objectivo do tratamento é curar e o mesmo baseia-se em cirurgia, radioterapia e terapia sistémica (quimioterapia, hormonoterapia).

·         No caso da cirurgia pode ser realizada mastectomia ou tumorectomia, sendo que com tumorectomia é realizada quase sem excepção radioterapia adjuvante.

·         A radioterapia tem um papel importante como terapia adjuvante após a tumorectomia, pois reduz o risco de recidiva local (ou seja, reduz o risco de reaparecimento da doença); para além disso também apresenta beneficios após a mastectomia principalmente quando existem gânglios invadidos.

·         O tratamento sistémico administrado após a cirurgia permite erradicar micrometástases (ou seja, eliminar pontos de contágio da doença que podem não ter  sido removidos aquando da cirurgia)

No caso de cancro de mama em estadio III (localmente avançado) o objectivo do tratamento é curar e o mesmo baseia-se em quimioterapia neoadjuvante, cirurgia, radioterapia e hormonoterapia.

·         Uma vez que o tumor neste estadio apresenta um tamanho superior ao dos estadios precoces, aqui o objectivo é converter a doença em operável para que possa ser realizada cirurgia. Por esta razão é administrada a quimioterapia neoadjuvante. Quando o tumor é considerado operável após a quimioterapia é realizada cirurgia e após esta a radioterapia. Por vezes pode ser utilizada a hormonoterapia, mas tudo isto depende de doente para doente e da sua resposta a cada tratamento.

No caso de doença metastática (ou seja, doença que já disseminou para outros órgãos), o objectivo do tratamento é paliar e aumentar a sobrevida da doente, sendo o tratamento primário sistémico (quimioterapia ou hormonoterapia).

É importante referir que todos os termos que utilizo quando não são explicados no post em questão é porque já foram explicados em posts anteriores. Para se compreender este post é necessário ter lido os posts anteriores sobre cancro de mama, onde expliquei pormenores como os estadios.

 

publicado por A Radioterapia às 09:05

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Informação
Pretendo inserir informação o mais completa possível sobre as diferentes patologias que podem ser tratadas com radioterapia. Contudo, levará algum tempo até que haja informação para todos os doentes oncológicos que espero que visitem o blog. Caso visitem o blog e não encontrem a informação que pretendam ou a mesma não seja tão esclarecedora quanto gostariam, terei todo o gosto em responder-lhes às questões, bastanto para isso que enviem um email para omundodaradioterapia@gmail.com.
Todas as matérias publicadas no blog têm como único objectivo transmitir informação a todos os doentes oncológicos que possam visitá-lo. A informação baseia-se em livros de Medicina/Radioterapia/Oncologia e deve ser levado em conta que cada doente é um doente e que os procedimentos médicos que se utilizam variam entre os doentes, podendo a tecnologia evoluir.
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